terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

A Letra e a Melodia... (para Daví das Águas)

Foi quando ele sentou naquela grama seca, olhando o céu pálido, com remorsos de que a chuva estaria por vir. Enquanto o sol que se escondia por trás das nuvens, mandava uma onda de calor aconchegante enquanto ele colocava o violão em seu colo e começava a fazer algumas notas soltas, ao afiná-lo.
E lembrar que naquela grama, há anos atrás ele costumava a correr com uma menina, com medo do amanhã, apenas vivendo pelo hoje. Por mais q parecesse um sonho, soava como um pesadelo. Suas memórias não eram feitas apenas por sonhos, canções e imagens de espíritos coloridos se entrelaçando nas correntes de cores ondulando pelos sons do violão.
Foi quando ele começou a cantarolar numa melodia.

"Eu me perdi de você
Dentro de mim e da minha loucura,
Apenas pude saber que você
Mais do que nunca desejava partir

Não acreditei,
Até não receber aquele sorriso,
Até não ouvir mais aquela voz
Até não sentir mais aquela pele
Até não ver mais aqueles olhos..."

As palavras por mais que parecessem gastas, não pareciam se entrelaçar com a melodia, e tudo ficou muito desorganizado, é como se elas não conseguíssem se unir, por mais que ele tentasse, a letra e a melodia ainda se afastavam, era como se elas se odiassem de uma forma amorosa. Elas não se completavam, nem se intrigavam, apenas se afastavam, afastavam.
E ele viu que isso estava tomando conta de sua própria mente, do seu passado.

"Elas amavam se odiar tanto quanto odiavam a se amar"

A disparidade entre elas faziam o sol e as nuvens se distanciarem, até, que para o pobre jovem, parecesse anoitecer, ou até mesmo, eclipsado toda a sua alma e seu espírito.
Porque, como todos sabem, para um músico, sua letra e sua melódia seriam como suas filhas.
E isso o entristecia muito. Seria mais fácil fazer uma outra melodia para que a letra se encaixasse, mas para ele, é muito mais que fazer apenas se encaixar.
O fato de se amarem é que quando estão juntas, soavam como separadas, mas respondendo uma à outra. As vezes, as letras e melodias não se escutam, ou se evitam, ou até mesmo, brigam. Com estas duas não era assim, elas se demarcavam entre terrítórios, de um momento cantavam juntas, outros brigavam, outros choravam e outras até mesmo, riam uma da outra.
Mas ele acreditava que a culpa não era de nenhuma das duas ou dele, mas do momento, do pensamento, daquele desejo afoito de resultado, mas isso viria com o tempo, contanto que as duas permanecessem juntas e tentando conquistar uma à outra.

Logo o jovem não sabia mais o que fazer e então, decidiu permanecê-las assim, intocadas, para que algum dia, elas finalmente se entendessem e fizessem do esforço do jovem, a bela canção que os unissem novamente.

"Um pequeno texto para o meu 'amigo' Daví das Águas"

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