segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Comentando Álbuns #6 - O Muro... Ou não! (Parte 1)



E hoje falo de um álbum que marcou o início de uma fase tensa para a banda, Pink Floyd.
Mas antes, quero comentar algo aqui, uma questão:

"Hoje (06/12/2009), fui assaltado, levaram minha carteira com documentos importantíssimos, meu celular e meu violão. Agora eu lembro mais ou menos da cara dos meliantes e também da roupa que usavam. Porque não usavam roupas sujas e cheiravam mal? Porque segundo o discurso dos 'politicamente-corretos' eles fazem isso por necessidade. Mas olha só, o cara devia ter até camisa de marca, coisa que EU não tenho. Seria realmente necessário me assaltar? Acho que hoje em dia, as pessoas só querem do jeito mais símples e menos justo. Acham que só porque estão com uma arma de fogo em mãos tem o poder de mudar o destino de uma pessoa. Na boa? Vocês me enojam."

Qualquer erro de português, peço desculpas, então voltemos à programação normal.

The Wall, gravado entre Janeiro - Novembro de 1979 em vários locais (não foi apenas na Abbey Road onde o Floyd costumava a gravar seus álbuns). O conceito do muro veio de Roger Waters, que num concerto em Quebec na In The Flesh Tour 1977, foi atacado por um fã, em reação ele cuspiu na cara de tal, o que o fez se repugnar pela tal ação, Waters transformou a idéia de banda/público num conceito maior. Ai nasce o The Wall.

The Wall além de tratar a polaridade da sociedade, também retrata o drama pessoal de Roger Waters, transparecido como Pink, o anti-herói da história, que perdeu o pai antes mesmo de nascer, traído pela mulher e blá. E no ato de se proteger de tal mundo cruel, ele cria uma barreira entre o mundo real e o SEU mundo, logo, constrói o tal muro.

Em relação à banda, as coisas estavam tensas entre os membros, Richard Wright (teclados) foi chutado durante as gravações, porque não deixava o pó pra ninguém, e isso deixou Roger muito puto, logo ele deu um chega pra lá em Rick.

David Gilmour tinha feito um disco solo e gostou da idéia, tanto que certas demos tomaram vida nesse álbum (no caso de Comfortably Numb). Nick Mason é um preguiçoso que gosta muito de ferraris, então, dane-se.
Seja como for, o álbum superou as expectativas do anterior, Animals, vendeu tanto que está como o terceiro álbum mais vendido de sempre nos estados unidos. 23 vezes Platinado, e em 1998 elegido pela Q Magazine como o 65° melhor álbum da história e em 87° na Rolling Stone em 2003.

Agora, aqui vai a resenha do álbum, longo, então vamos lá: "Let's tear down the wall!"

In The Flesh? (3:20)
"We came In?" é a frase que abre o álbum, bem baixa, junto com a melodia que será repetida em Outside The Wall mais tarde. In The Flesh é a musica com o riff mais pesado do Floyd. Seguido de uma intro longa a la Pink Floyd, apenas para mostrar a voz de Waters dizendo que as coisas não são como parecem! E então a marcha recomeça com Pink (Waters) mandando desligarem os efeitos de som e terminando com um grito que é marcado até hoje pelos fãs de Floyd: Turn it off!

É quando um avião caí e explode, dando passagem à...
The Thin Ice (2:27)
O belo piano que não sei dizer se é de Rick Wright ou Michael Kamen abre a musica quando a voz doce e inconfundível de David Gilmour canta interpretando a mãe do pequeno Pink, enquanto ela vê seu marido partir para o mar, longe dos dois. Logo a voz de Waters rasga a doçura, colocando a história no presente, mostrando enquanto você esquiar no gelo fino da vida, pode cair na água fria e se cortar agarrando-o. Então um solo frio e tenso de David lidera a musica, tornando a doçura em frieza, medo e dor.

E então, nosso bebê cresce para um garoto de cinco anos, e descobrindo a morte do pai, começa a construir o seu próprio mundo...
Another Brick In The Wall (Parte 1) (3:21)
"Papai vôou para cruzar o oceano, apenas deixando sua memória para mim" enquanto ele observa uma foto no álbum de família, se pergunta "papai, o que você deixou pra mim" e ele se responde "um tijolo para construir sua parede". A musica se perde em seu riff obscuro, gritos de crianças enquanto correm pelo parquinho, e Pink as olha, com seus pais, e ele só. Quando o riff começa a entrar no fade-out, um barulho de helicóptero se aproxima.

The Happiest Days of Our Lives (1:46)
"You! Yes, You! Stand still laddie!" e a musica pulsa e para, um susto, mais uma vez, e o riff retorna mais grooveante, uma escala de baixo e a voz fria de Waters murmura sobre os dias de escola do jovem Pink, abusado pelo sistema educacional da Inglaterra. Logo a musica ganha uma bateria menos direta e mais pulsante enquanto Waters diz que por mais que os professores abusem de seu poder, em casa ainda são mandados por suas esposas. O sarcasmo de Waters sempre abusando da musica, logo um coro lidera e prepara para a próxima musica...

Another Brick In The Wall (Parte 2) (3:21)
Finalmente, a musica do helicópetro de verdade. De dez pessoas que nasceram só nos anos 90, essas 10 já escutaram essa musica. Mas você me pergunta "Porque diabos uma peça do Rock Progressivo que fala sobre o método descriminante de ensino da Inglaterra é um sucesso mundial?" E eu te respondo: por causa do groove da musica (groove, leia-se, rítimo).
Sim, ela tocava em boates dos anos 70~80, discotecas, modificada para ficar mais rápido e etc. Não sei que visão Roger Waters tem disso, mas que ele ganhou uma grana violenta com isso ele ganhou, e bem fácil!
O contexto já expliquei, mas vou fazer uma observação de quotes sobre essa musica:
- Você sabia que o solo de ABITW 2 foi criado na hora e no estúdio? No meio da gravação? Roger Waters achou que a musica estava precisando de um auxílio pra se segurar por mais tempo, e então ele EXIGIU que David Gilmour fizesse um solo, bem, daí surgiu um dos melhores solos do rock progressivo, ou pelo menos um dos mais conhecidos.
- As crianças que compuseram o coro na musica, receberam apenas uma cópia do The Wall e 500 euros pra dividirem entre si, anos depois eles se juntaram e processaram os caras, e transformaram essa grana numa grana mais justa.
- Você sabia que a musica também foi feita para ter impactos aterrorizantes em menores de idade? Tipo de 5~7 anos? O próprio Roger disse que todo o The Wall tem essa visão sobre o terror nas costas do álbum, é natural que ocorra uma aversão em meio dessas musicas por soarem tão "sinistras".

Mother (5:36)
Mother é uma canção que fala como uma pessoa pode fazer com que seu filho seja dominado até o dia que completa 18 anos. Ou mais talvez, criada num meio onde o pavor que a perda do pai o assombre pelo resto da vida. A musica na verdade lembra um pouco Wish you Were Here, pelo fato de ser também tocada de forma acustica, com Roger Waters fazendo o papel de Pink e David Gilmour fazendo o papel da mãe superprotetora. Uma das musicas onde eles dividem os vocais, é algo muito legal, que faz os dois manterem polos separados (Poles Apart é do Division Bell, mas ok) durante a musica.

(Se Você estiver escutando o LP, é a hora de trocar de lado...)
Goodbye Blue Sky (2:45)
Um dedilhado de violão toma conta do ambiente, indo do calmo e lindo para uma parte totalmente sinistra e obscura (uma das partes que fazem parte do lado medonho do The Wall), então David Gilmour começa a cantar, com certo medo na voz, para transparecer o medo das guerras, bombas atômicas, e que no final de tudo, nós temos no coração a esperança de ver o Céu azul que se foi, escondido pela fumaça de tais bombas jogadas em nós mesmos.

Empty Spaces (2:10)
A musica começa com uma melodia dark (como sempre) se erguendo, erguendo, seguido de um solo de guitarra de Dave, e logo aumentando ao extremo, fazendo uma pequena referência à Pink fazer turnê nos EUA, e descobrindo que sua mulher o trái, fazendo com que ele comece a colocar mais tijolos no muro que o separa da vida com as outras pessoas.
Uma nota que há uma mensagem secreta na musica, que está ao contrário. Não tive a paciência de saber o porquê dela, mas se você procurar vai encontrar coisas sobre tal easter egg.

Young Lust (3:25)
Dave canta o lado mais rock'n roll de Pink, que não está mais nem ai pra sua mulher, apenas curtindo o prazer da vida de rockstar. Com uma pegada bem Hard Rock e um solo fodástico, Young Lust ilustra uma das ultimas parcerias Waters/Gilmour, que apenas se repetirá em Comfortably Numb e Run Like Hell, no segundo disco.

One of My Turns (3:35)
Pink começando a se destruir pelas drogas, começa a perder o senso de razão que lhe restava, mesmo tendo aproveitado cm várias mulheres, acha que com uma só era o bastante, e então começa a pirar, mas pirar foda, assim como a musica que antes estava falando do amor e como ele machuca, e nos torna amargos, e isso o emputece fazendo milhares de merdas em seu quarto no hotel, Waters cantando com a maior loucura que pode cantar, com todo seu sarcasmo canta "Run to the bedroom, in the suitcase on the left you'll find my favorite axe!" e "Don't look so frightned, it's a just passing phase of my bad days!" num rítimo bem Rock'n Roll, e um solo totalmente blues/hard, ele termina jogando a televisão pela janela e gritando "MOTHERFUCKERS!!" (Incluído apenas no filme!).

Don't Leave Me Now (4:16)
Então Pink descobre que agora está só, os tijolos estão começando a se fechar, nada mais resta, ele ainda tenta retornar para sua mulher, mas seu ódio fala mais alto, de forma grosseira se possível, e então ele se pergunta ainda, "porque você está fugindo?" e então um solo de Dave entra para deixar tudo mais melancólico e destruir de uma vez a esperança do pobre homem.

Another Brick In The Wall (Parte 3) (1:14)
E um barulho de Pink destruíndo a televisão que foi jogada pela janela (talvez uma ilusão?) e recorrendo há um grito de raiva e dor.
Agora, Pink totalmente desiludido com a sociedade, se larga das amarras que o prende nesse mundo, de forma mais violenta possível, assim como o ritimo, que progressivamente cresceu até a última parte da trilogia chave do primeiro disco.

Goodbye Cruel World (1:13)
Não há nada o que dizer, apenas as considerações finais para o final do primeiro disco, e a primeira parte da resenha...
"Goodbye cruel world
I'm Leaving you today
Goodbye, goodbye, goodbye

Goodbye all you people
There's nothing you could say
To make me chance my mind
Goodby..."
E o Muro se fecha....

3 comentários:

Marcel disse...

The Wall é um álbum essencialmente plagiado. Com altas influências de Bee Gees, Ramones e The Who, The Wall nada mais é do que uma colcha de retalhos de várias outras sonoridades já exploradas, aliadas à loucura de Roger Waters, que resolveu contar em um disco, a histórinha que a sua mãe contava para ele dormir.

Bruno disse...

Mentes atormentadas são os melhores artistas. The Wall é realmente a obra prima de Roger Waters e o seu grande trunfo é a capacidade de várias interpretações sobre o album de roger com e sem junção do filme, é realmente legal ouvir as teorias de cada um acerca do album, ainda que o artista não queria dizer nada com a sua arte ele vai induzir msgs para nós msmos.

Vlw as curiosidades Andrey, que suas análises nos ajudem sempre a vermos através do "The Wall".

B. de Sales disse...

The Wall realmente é uma obra prima. Eu escuto desde que tinha 8 anos de idade, meu irmão trouxe um vinil duplo hehehe, quando eu comecei a ouvir, eu disse, meu Deus!! que som é esse!!??